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O MÉTODO GDS E SEUS ARQUÉTIPOS

19.04.2011

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MÉTODO GDS – A AUTORA E SEU PERCURSO

Dando continuidade ao assunto iniciado na semana passada, Cadeias Musculares e Articulares - Método GDS (15 de março de 2011), gostaria de relembrar que a atitude postural e a forma de nosso corpo derivam de uma multiplicidade de fatores, desde a genética até o psiquismo e o comportamento. Isso quer dizer que cada indivíduo adota uma atitude corporal que lhe é própria, resultado de suas vivências psicocorporais. Por essa razão, entendemos que o corpo é a ferramenta que permite nos ajustarmos às diferentes circunstâncias que vivemos.

 

Para Godelieve Denys Struyf "o corpo é linguagem". Sendo assim, a proposta do Método GDS é, justamente, aprender a ler e identificar as formas de comunicação, de modo a garantir a liberdade dos movimentos e a expressão dos gestos. Com as informações obtidas nesta leitura, é possível determinar, de modo mais preciso, qual será o "fio condutor" das estratégias terapêuticas ou de prevenção a serem utilizadas para cada caso.

 

 

Neste momento vale a pena descrever, brevemente, o percurso vivido por Godelieve Denys Struyf até a estruturação do Método.

 

 

Ela nasceu em 1931 na província de Kivu, ex-Congo Belga. Aos 15 anos, iniciou seus estudos de desenho e pintura na Academia Real de Belas-Artes, em Bruxelas. Alguns anos depois, realizou um curso sobre biotipologias e suas interações com a psicologia, antropologia e fisiologia humana. Até que, em 1961, concluiu o curso de fisioterapia no Instituto Superior de Carreiras Auxiliares da Medicina em Bruxelas (ISCAM), considerado, na época, o maior centro da área da saúde da Europa.

 

É fato que Godelieve Denys Struyf viveu em um período muito rico para o desenvolvimento das terapias corporais. Ela fez parte do mesmo período histórico que alguns dos personagens de maior expressão na área da fisioterapia e, principalmente, da biomecânica. Alguns destes foram influências que permitiram a estruturação do Método em questão, que tem as iniciais de seu nome (G. D. S.). Creio ser interessante comentar algumas destas influências.

 

A noção de cadeia muscular tem raízes nos trabalhos de Kabat (facilitação neuromuscular proprioceptiva), Bobath e Françoise Mézières. Aliás, com Mézières teve a oportunidade de trocar experiências que resultaram, alguns anos mais tarde, na produção conjunta de dois volumes de uma obra intitulada "Le manuel du mézièriste".

 

Além dos estudos de Belas-Artes que a permitiram desenvolver a capacidade de observação do corpo humano, foi a Medicina Tradicional Chinesa que a ajudou a compreender e a estabelecer as relações entre os diversos sistemas (visceral, mecânico, psíquico).

 

A questão dos aspectos mecânicos mediando o processo da coordenação motora (torção, movimento espiróide e o gesto influenciando a forma do corpo) é uma contribuição dos trabalhos de Piret e Béziers. Estas autoras, ao pontuarem que "todo gesto é carregado de psiquismo", reforçam o que já havia sido descrito no primeiro parágrafo deste texto. Nas referências bibliográficas, logo abaixo, citarei dois livros, o primeiro das autoras Piret e Béziers e o outro de Béziers e Hunsinger. Ambos são fundamentais para os profissionais que desejam se aprofundar no tema: organização, coordenação e estruturação corporal.

 

Não poderia esquecer, também, de sua formação em Osteopatia na EEO em Maidstone (Inglaterra), onde ela pode aprimorar suas técnicas em terapia manual. Isso a permitiu lecionar cursos de "cadeias GDS" para osteopatas, o que culminou em uma obra publicada pela SBORTM (sociedade belga de osteopatia e de pesquisa de terapia manual). Nesse livro, ela relacionou as cadeias musculares e articulares às características morfológicas, ao comportamento e apresentou a noção de terreno de predisposição. Este assunto é de grande importância para o Método GDS e, por essa razão, será abordado em um momento mais apropriado neste site.

 

Para finalizar, digo que Godelieve Denys Struyf foi uma pessoa diferenciada nesse cenário das terapias corporais, pois ela soube aliar seu olhar apurado e analítico, desenvolvido com o desenho e a pintura, com a experiência adquirida na vida acadêmica e profissional, já no campo da fisioterapia. O resultado foi a criação de um Método de tratamento que propõe um abordagem verdadeiramente global. O Método GDS tem como base de apoio a idéia do "olhe e aprenda a ver".

 

No final da década de 90, o Método começou a ganhar uma projeção mundial com a criação de uma associação internacional de praticantes (APGDS) e, posteriormente, muitos países criaram suas "filiais". Neste mesmo período, Philippe Campignion, seu principal colaborador, começou a escrever uma série de livros dedicados aos aspectos biomecânicos do Método. Em 2005, na cidade de Granada (Espanha), aconteceu o I Congresso Internacional da APGDS. Godelieve Denys Struyf faleceu em setembro de 2009 e, menos de um ano depois, na cidade de Bruxelas (Bélgica), realizou-se o II Congresso Internacional, dedicado a homenageá-la.

 

 

Os sócios da APGDS no Brasil têm participado ativamente, nas Jornadas Científicas no Brasil e nos Congressos Internacionais, apresentando palestras, workshops e escrevendo artigos para a Revista "Olhar GDS" (periódico oficial da APGDS-Brasil). No dia 25 agosto de 2012 será a vez do Rio de Janeiro sediar o evento da APGDS. Além dos maravilhosos profissionais brasileiros, já temos confirmadas as presenças de Philippe Campignion, Alain d'Ursel e outros convidados internacionais.

 

 

Para conhecer um pouco o trabalho da APGDS brasileira nos últimos 5 anos é só acessar o link http://www.youtube.com/watch?v=KVN4tSDFm8s

 

 

Na próxima semana, abordarei alguns conceitos imprescindíveis para a compreensão da organização mecânica das Cadeias Musculares e Articulares GDS.

 

Até lá!

 

 

Bibliografia

 

 

 

. Campignion P. Aspectos Biomecânicos – Cadeias Musculares e Articulares – Método G.D.S. – Noções Básicas. São Paulo: Summus; 2003.

 

. Denys-Struyf G. Le manuel du mézièriste. Tome I. Paris: Frison-Roche; 1995.

 

. Denys-Struyf G. Le manuel du mézièriste. Tome II. Paris: Frison-Roche; 1996.

 

. Piret S. e Béziers M-M. A Coordenação motora: aspecto mecânico da organização psicomotora do homem. São Paulo: Summus; 1992.

 

. Béziers M-M. e Hunsinger Y. O bebê e a coordenação motora: os gestos apropriados para lidar com a criança. São Paulo: Summus; 1994.

 

. Denys-Struyf G. Les chaînes musculaires et articulaires. Bruxelas: SBORTM (société belge d`ostéopathie et de recherche en thérapie manuelle); première édition 1979.

 

. APGDS. Parcours de Godelieve Denys Struyf, auteur de la méthode GDS IN: Inforchaînes: La revue des praticiens de la Méthode G.D.S. Bulletins trimestriels édités et diffusés par les APGDS, France e Belgique: 1 ème semestre 2010 – supplément (p.9-10)

 

Um abraço,

Alexandre de Mayor

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