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O MÉTODO GDS E SEUS ARQUÉTIPOS

19.04.2011

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MÉTODO GDS E AS RELAÇÕES de CONTROLE-COMPLEMENTARIEDADE

 

Ao longo deste caminho que estamos percorrendo juntos, tenho desenvolvido um tema com o propósito de enriquecer o debate na área das terapias corporais. É importante lembrar que muitas técnicas foram desenvolvidas a partir da história de seus criadores, como tentativa de solucionar questões pessoais. Joseph Pilates, por exemplo, foi prisioneiro de guerra em 1914 e utilizava os recursos de que dispunha para se exercitar. Matthias Alexander perdeu a voz, Moshe Feldenkrais teve problemas articulares de joelho, enquanto Gerda Alexander desenvolveu a Eutonia, motivada por sua insuficiência cardíaca.

 

 

Godelieve Denys Struyf, por sua vez, seguiu um outro percurso. Em função do seu olhar analítico, adquirido com a arte do desenho e da pintura, pode observar que os indivíduos são morfologicamente diferentes entre si. Posteriormente, a avaliação de inúmeros pacientes portadores de lombalgia permitiu-lhe constatar que todos recebiam o mesmo protocolo de atendimento, apesar de tais diferenças. Isso a fez refletir sobre que alternativas terapêuticas usar, para os casos que não tinham sucesso. Assim, ela aliou suas experiências profissionais à oportunidade de ter lecionado no maior centro de fisioterapia de sua época (o ISCAM, em Bruxelas), o que foi conclusivo para desenvolver uma opinião muito sábia com relação aos procedimentos terapêuticos: "Não existem técnicas boas ou más. Todas são boas, quando adaptadas ao paciente. Todas são más, quando é o paciente que precisa se adaptar a elas".

 

 

A palavra Método, que tem origem do grego "meta" + "hodos", significa, literalmente, "caminho para chegar a um fim". E é exatamente a isso que o Método criado por Godelieve Denys Struyf se propõe. Ao fazermos uma leitura dos terrenos de predisposição, teremos como delimitar, com maior precisão, nosso "fio condutor", nossas escolhas terapêuticas. O profissional que trabalha com o Método GDS, a partir de sua avaliação, descobrirá um caminho. Caberá a ele decidir se emprega os recursos próprios do Método ou qualquer outra estratégia que faça parte de sua vivência profissional, seja ela oriunda do Pilates, Feldenkrais ou qualquer outro método.

 

 

 

Segundo Rita Wada, professora da equipe de formação do Método GDS em São Paulo, Godelieve Denys Struyf não achava suficiente liberar o corpo de seus entraves para ele, por si só, reencontrar a sua boa fisiologia. O corpo costuma, na maioria das vezes, retomar os gestos e movimentos habituais. Por isso, em um primeiro momento, devemos reequilibrar as tensões entre os diferentes músculos que fazem parte de nossas cadeias musculares. A seguir, devemos reprogramar a função justa. Como o assunto da semana passada foi a penta-coordenação, me resta agora abordar as relações de controle-complementaridade entre as cadeias musculares, a partir da estrela de controle no pentagrama. Com isso, estaremos trabalhando dentro do que a professora Rita descreveu como o primeiro momento de uma abordagem terapêutica, o reequilíbrio das tensões.

 

 

Por se tratar de um tema de suma importância, Renata Ungier, coordenadora da formação GDS no Rio de Janeiro e presidente da APGDS-Brasil, apresentou na II Jornada Científica da APGDS, em 2007, uma conferência sobre as Estratégias de Tratamento pelo Método GDS dentro de um Enfoque Biomecânico. A conferencista descreveu, detalhadamente, os conceitos de marcas morfológicas (texto do dia 05 de abril), residência (texto do dia 19 de abril), feudo e, por fim, as relações de controle-complementaridade entre as cadeias musculares.

 

 

Como já coloquei os links para os textos anteriores, continuarei o nosso percurso a partir do conceito de feudo.

 

O feudo é novidade nesses nossos encontros semanais. Por essa razão, antes de partirmos para a definição, farei uma pergunta. Você se lembra das aulas de história no ensino médio ? Não podemos esquecer que Godelieve Struyf viveu na Europa, sendo assim, o termo feudo pode nos "soar" um pouco estranho (para os que vivem no “novo mundo”), mas para ela tinha um claro significado.

 

O feudo é uma terra governada por um senhor... Na Idade Média, o feudalismo foi o principal sistema social, político e econômico vigente na Europa. Agora, vamos transportar essa idéia para o nosso sistema biomecânico, que não deixa ser ter suas políticas e acordos entre diversas estruturas; funcionam para nossas relações, entre elas as sociais; e deveriam ter suas funções ajustadas para a economia de energia. Para definirmos objetivamente um feudo, dizemos que é um lugar no corpo onde é imprescindível que uma cadeia muscular imprima sua marca útil. Sendo assim, cada cadeia muscular se responsabilizará por um território específico do corpo, com o objetivo de "zelar" pelo bom equilíbrio fisiológico entre as demais estruturas que ali se encontram.

 

 

E agora ? Para que esses conceitos façam realmente sentido, para você que está lendo esse Blog desde o dia 15 de março, preciso organizar tudo de forma bem sistemática. Vamos lá ...

 

 

Na semana passada fizemos o pentagrama, nossa estrela de cinco pontas, desenhada em um papel. Na ponta da estrela direcionada para cima, temos a estrutura "PA - Fogo". No sentido horário teremos "AM - Terra", "AL - Metal", "PM - Água" e por último "PL - Madeira". Agora, vamos seguir o percurso da estrela, começando por PL. Dessa maneira, teremos a seguinte direção PL -> AM -> PM -> PA -> AL e, chegamos, novamente, à nossa estrutura PL. Confere ?

 

 

Então, tente acompanhar o raciocínio. PL no seu feudo vai controlar AM em sua residência. Não se esqueça que estamos falando de estática. Nosso equilíbrio fisiológico. Durante nossos movimentos, os músculos vão alternar a todo instante seus pontos fixos. Mas, nunca poderão perder a sua organização estrutural.

 

 

O feudo da estrutura PL é o membro inferior. Os músculos pelvi-trocanterianos, principalmente o quadrado crural, têm como função útil manter a extremidade proximal dos fêmures em rotação externa e controlar o fechamento dos ísquios, induzido pelos músculos do períneo, que fazem parte da cadeia AM.

 

 

Para que AM não se feche em sua residência, é importante que PL se responsabilize por manter um bom equilíbrio fisiológico nessa região. Imagine um quadro de incontinência urinária em um indivíduo funcionando excessivamente em PL. E que essa estrutura PL não faz parte do potencial de base. Será que AM não tentaria proteger a sua residência e, por conta disso, os músculos do períneo não ficariam reativos à ação mecânica de PL querendo abrir os ísquios ?

 

 

A residência de AM é na pelve, mas o seu feudo é no tórax. Seus representantes são os grandes retos do abdome e as fibras esternais e abdominais do peitoral maior. A marca útil fisiológica de AM é imprimir a verticalização do esterno no tórax. Essa ação mecânica coloca a oitava vértebra torácica no ápice da cifose torácica, impedindo que PM retifique toda a coluna dorsal e lombar. Assim, AM no seu feudo controlará PM em sua residência. Geralmente, PM na sua residência, deveria estar sobre controle de AM. No excesso, PM passa a dominar AM, expulsando-a de seu feudo. Assim, AM irá se marcar à distância. É comum observarmos o recuo da mandíbula, um hálux valgo ou até mesmo, AM se marcando mais forte ainda em sua residência.

 

O feudo de PM são os membros inferiores (feixes profundos do músculo glúteo máximo, os isquíos tibiais mediais, o poplíteo e o sóleo); o de PA é o pescoço (músculo longo do pescoço e os pré-vertebrais); o de AL é o músculo latíssimo do dorso (o grande dorsal).

 

 

Acompanhe pela estrela que desenhamos juntos ! PL controla AM; que controla PM ... até chegar, novamente, em PL. Eis aí, a estrela de controle. Ela nos mostra uma maneira de observar a organização global do corpo. Não fique chateado comigo por não ter concluído todo o percurso da estrela. Mas isso foi de propósito ! Esse assunto é muito complexo até mesmo para quem já iniciou a formação no Método GDS. Uma sugestão para aqueles que já começaram a ver o corpo como uma unidade psicocorporal: que tal reprogramar a ação das cadeias musculares em seus respectivos feudos ? Não parece ser uma estratégia interessante, devolver aos músculos uma informação estruturante e correta de nossa estática, após qualquer atividade cotidiana ou exercício físico  ?

 

 

Vamos continuar ... O feudo da PM são os membros inferiores. São os feixes profundo do músculos glúteo máximo, os isquíos tibiais mediais (semitendíneo e semimembranâceo), poplíteo e, finalmente o solear, que manterão a pelve horizontalizada e o osso sacro vertical. O ponto fixo em baixo gerado por todo esse encadeamento muscular, controlará à distância, PA em sua residência, que é o crânio. PA que está ligado a intuição e a espiritualidade, precisa que uma ação mecânica a coloque "literalmente" no chão. Isso é uma forma de aproximar o indivíduo de sua racionalidade.

 

Geralmente PM deveria estar sobre controle de AM. No excesso, PM passa a domina AM, expulsando-a de seu feudo. Assim, AM irá se marcar à distância. É comum observarmos o recuo da mandíbula, um hálux valgo ou até mesmo, AM se marcando mais forte em sua residência.

 

PA tem seu feudo no pescoço e sua responsabilidade é erigir reflexamente toda coluna vertebral. O motor da ação antigravitacionária de PA é o músculo longo do pescoço, localizado anteriormente na coluna cervical. Sua ação determinará ao músculos sub-occipitais, localizados posteriormente, ponto fixo para cima. PA "não vive" sem AP. O representante de AP é o músculo quadríceps femoral. Como dizia Mézières "não há um bom porte de cabeça sem quadríceps". AL tem sua residência nos membros inferiores. Assim, PA à distância controlará AL, que no excesso tende a achatar e fechar o corpo nos planos frontal e horizontal. É a ação conjunta de PA e AP que vai permitir que PA não se fixe no pescoço e permita uma boa relação de controle-complementariedade entre PA e AL.

 

AL tem o músculo latíssimo do dorso (o grande dorsal) como seu representante em seu feudo, que são os membros superiores. PL quer se comunicar com o meio exterior, mas em atividade excessiva se tornará uma pessoa extremamente comunicativa, porém dispersa. Por essa razão, AL controlará PL em sua residência que são os membros superiores. A ação muscular do latíssimo do dorso (AL), que tem inserção no úmero, controlará o músculo trapézio ascendente (PL) que tende a elevar os ombros. A marca útil de AL em seu feudo será ancorar a cintura escapular sobre a pelve.

 

 

Chegamos novamente a nossa estrutura PL.

 

 

 

Da estrela de controle deriva uma estratégia terapêutica chamada de triângulo. Ela segue o mesmo princípio, porém, seu objetivo é buscar a relação entre três estruturas dentro do pentagrama. A cadeia causal é colocada no ápice do triângulo e, desta forma, poderemos entender quem está em carência e quem está em sofrimento. Por exemplo, se você identificou um excesso da estrutura PL na pelve, como no exemplo da incontinência urinária que citei logo acima, necessariamente teremos que colocar a PL em sintonia com as cadeias AM e AL. Nossa conduta não será alongar nem tampouco fortalecer PL-AM-AL, o nosso objetivo será reequilibrar para, depois, restabelecer a função.

 

 

As Cadeias Musculares e Articulares GDS utilizam diversas ferramentas, entre elas os exercícios isométricos, as massagens, os pontos inibitórios, os traços reflexos e os alongamentos. Porém, como já falei, não empregamos esses recursos sem antes definirmos o "fio condutor", a nossa direção de tratamento. Desta forma, iniciamos com a avaliação da pulsão psicocorporal para a compreensão do modo de funcionamento adotado pelo paciente no momento; o potencial de base, em seguida, nos dará uma estimativa da proporção entre as três estruturas do eixo da personalidade fundamental; a leitura das marcas morfológicas nos mostrará os ajustes mecânicos inscritos; os testes de elasticidade nos ajudarão a entender se o paciente está fixado em alguma tipologia. Finalmente, observaremos um terreno de predisposição e a proposta terapêutica deverá organizar a unidade corporal como um todo. A queixa do paciente poderá, então, ser compreendida a partir de um contexto bem definido, o que nos permitirá realmente individualizar o tratamento. Mas isso é assunto para o ciclo IV da Formação GDS (Estratégias de tratamento)...

 

 

 

Um abraço e até semana que vem !

 

 

 

Bibliografia

 

 

. Campignion P. Muscle and Articulation Chains. G.D.S Method. Biomecanical Aspects - Basic Notions. ICTGDS; 2nd edition, 2010.

 

. Bolsanello D. P. Em Pleno Corpo: educação somática, movimento e saúde. Juruá Editora; 2ª edição, 2010.

 

. Denys-Struyf G. Les chaînes musculaires et articulaires. Bruxelas: SBORTM (société belge d`ostéopathie et de recherche en thérapie manuelle); première édition 1979.

 

 

 

 

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